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domingo, 6 de julho de 2014

Quantos Likes Essa Guerreira Merece?

Não mais do que os tabefes na tua fuça.

Muitas coisas me irritam, mas poucas conseguem me deixar no máximo grau de indignação quanto o coitadismo.
Sim, esta praga dos nossos dias que desperta no momento em que alguma pessoa de proeminência desempenha, com sucesso, em sua área. E se essa pessoa for rica, bem, está preparado o palco para que os recalcados de plantão subam nas tamancas e postem a história do seu José, lá de Coronel Bicaco, que capina diariamente para tentar comprar um sanduíche. Como se o feito de um minimizasse o feito do outro.

Porém, tem várias coisas aí que ninguém leva em conta. Como, por exemplo, o fato de que nem todas as pessoas que capinam hoje para comer um sanduíche amanhã estão nessa situação por falta de oportunidade, mas simplesmente porque deram de ombros às oportunidades que tiveram. O quê? Vai me dizer que você nunca ouviu falar em vagabundo? Nasceu ontem, querido? Ademais, em que manual está dito que exaltar o feito de A significa automaticamente desmerecer o feito de B? Por que raios eu preciso me debulhar em lágrimas diante da foto de uma criança com alguma doença (e aqui cabe uma mijada, você que posta fotos de crianças com deformidades físicas no Facebook pedindo like, por que não se filia ao Greenpeace e se joga no Ártico?). Aliás, a burrice acompanha o intelecto danificado dessa galera, que acha que o número de likes numa foto vai garantir tratamento pra alguma doença pra alguém. Deveria, isso sim, ter tratamento mental pra quem pede likes no Facebook.

E isso tudo não existiria caso essa propensão ao recalque, conhecido como coitadismo, não estivesse infectado nosso meio feito o vírus Influenza. Normalmente o incapaz de ter sucesso naquilo que faz culpa tudo pelo seu fracasso, menos a si mesmo. Ou é o capitalismo, ou é o rico, ou é o tempo, ou é o William Boner ou o Galvão Bueno.

Eu prefiro exaltar de igual forma qualquer feito, seja de quem for. Porque, afinal, separar as pessoas em classes ao invés de exaltá-las pelas coisas realmente úteis e interessantes que fazem, é característica desse partido que hoje está no poder.


domingo, 11 de maio de 2014

É santo e de casa...



   Texto e foto de Valéria del Cueto

“Quem é que vai comprar aquilo?” especula a moça da barraca ao lado, do alto de sua cadeira de praia para o grupo de amigas que usufrui o sol da Ponta do Leme.
São eles, o sol e a Ponta, que me atraem. Minhas tábuas de salvação. Referências, junto ao mar e a praia, para onde corro quando não consigo espremer da vida por falta ou excesso de assuntos, um bom tema para aquela crônica que deveria ser semanal.
Assumo a culpa por, tal qual Ícaro, querer atingir o sol sem os equipamentos adequados. Em minha presunçosa autossuficiência, fui largando no decorrer das semanas escrevinhantes, os itens mágicos que me conectavam com o que só pode existir como um exercício do prazer de escrever pra dizer.
Um tempo ruim me fez trocar a praia por outro lugar qualquer, a pressa eliminou uma etapa da depuração e ajuste dos textos, deixei de escrever a mão e passei a castigar o teclado cada vez mais em cima do laço... O dead line minou a poesia de ter o poder de escrever neste caderninho nas tardes preguiçosas das sextas.
E assim, sem que fosse percebida, a conexão especial que gerou tantas histórias que da contemplação levava à ação desvaneceu, murchou. Quase não me deu  conta a chama estava se extinguindo. Descobrir essa carência foi como um soco no estômago. Ficou um vazio de fôlego e argumentos.
Estanquei, parei e, depois de um período de análise cheguei à conclusão que, para recuperar o prazer de escrever, só fazendo novamente o ritual do bem contar. Estou na praia. É tarde de sexta feira! No trecho. Até a hora... que acaba a carga da caneta. Sem dó nem piedade, antes mesmo de fechar a primeira das duas laudas de costume. E lá vou de volta pra casa... ainda sem meu tudo de inspiração.
A vida é assim, definitiva e cruel de vez em quando. Por isso é tão importante não deixarmos passar as oportunidades de celebrar as vitórias que ela nos traz. Nossas e dos que nos cercam. Como a longa jornada do  jornalista Cacá de Souza  para estudar e divulgar a incrível história de Cândido Rondon.
Quando penso em Mato Grosso a primeira figura que me vem à mente é a de Rondon. Vi pela primeira vez a sua imagem num livro de história quando estudava na escola Batista de Ponta Porã. Dali para frente nunca deixei de procurar saber mais sobre ele. E fiquei muito feliz quando descobri a cruzada de Cacá - aqui e no exterior -  tentando reunir e contar para todo mundo quem era e quais os feitos extraordinários do mato-grossense de Mimoso. Com maior ou menor intensidade, de acordo com o interesse que desperta, essa  busca nunca parou. Pode diminuir a marcha, mas sempre anda para frente.
Foi esse caminho que o levou a ser o palestrante e exibir seus dois documentários Rondon e a Cartografia e Expedição Roosevelt  na Exposição “Rondon - Vida e obra”, no Centro Histórico e Cultural Mackenzie, em São Paulo, no dia das Comunicações, 5 de maio, e ser apresentado assim: “...o cineasta e jornalista, Cacá de Souza, biógrafo e referência no estudo da vida e da obra de Cândido Mariano da Silva Rondon”. Dois motivos de orgulho para o estado: Rondon e o fato de ser um jornalista de Mato Grosso a autoridade escolhida para as palestras do evento!
Estranho foi a Secom de Mato Grosso, no release distribuído sobre a Exposição para os órgão de imprensa, omitir a participação  de Cacá no evento paulista. O mesmo governo estadual que patrocinou os filmes do jornalista exibidos e aplaudidos na  Mackenzie. Esquecimento ou falta de dimensão do esforço dos que projetam para o mundo os feitos do maior herói mato-grossense.

Nossa mulher no Rio, Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Parador Cuyabano”,  do SEM SIM...  delcueto.wordpress.com


Gravata     
A vida é assim, definitiva e cruel de vez em quando. Por isso é importante não deixarmos passar as oportunidades de celebrar as vitórias que nos traz.

sábado, 5 de abril de 2014

Rainha morta e rei nu. Que venha a Copa


   Texto e foto de Valéria del Cueto

Tempo bom, tempo ruim. E cada tempo é um tempo, apesar de parecer que ele, o tempo, está cada vez mais curto.
Tudo é pouco e acontece mais rápido, especialmente o que não é nada. Seria tranquilo se o que hoje é mínimo não pudesse virar um demais daqui a pouco. Não temos a menor noção das consequências de nossos atos porque, por mais que se projete o amanhã, não sabemos o que tantas insignificâncias juntas podem fazer com o nosso futuro.
Parece complicado, mas é simples. Filosofia de crônica em cima do laço. Se assim não for, corre-se o risco de, em vez de chover no molhado os pingos de “sabedoria” semanais se perderem numa enxurrada qualquer, entre o dia de redação e a publicação do texto. E é aquilo, haja cuidado ao emitir opiniões. Até por que estamos mergulhados em tempos de Denorex, onde o que parece, nunca não é. E, quando é, alguém está levando algum.
Por exemplo, por aqui todo mundo sabia dos atrasos que estavam e iam acontecer nas obras da Copa do Mundo. Também era voz corrente as cachoeiras e cascatas de dinheiro que seriam desperdiçadas, a corrupção, a má qualidade dos serviços... Qual é a novidade?
Nenhuma, a não ser o fato que tem muita gente incomodada com as opiniões externas sobre nossa gente bronzeada e a capacidade intrínseca que temos de tropeçar em nossas próprias pernas e fazermos, de um paraíso na terra, um verdadeiro inferno de Dante. O bonde passou, o sino tocou e lá estávamos nós deixando escorrer como areia entre os dedos, a chance de fazermos pelo menos direitinho o dever de casa.
Enquanto alguns muitos se indignam com o que dizem a nosso respeito e tentam desesperadamente não vestir a carapuça, antes de colocarem na cabeça o chapéu de burro da reprovação automática,  jogando como sempre a culpa nos outros que são eles mesmos, vamos fazendo nosso papel de palhaços incompetentes e corruptos.
Mas que droga, o que falta para entenderem que tudo que sobe desce, tudo que enche esvazia e tudo o que vive morre? Por que essa necessidade de ganhar e acumular para si, quando a Dona História, grande mestra da civilização, já está cansada de ensinar que o único fator de crescimento e evolução viável é a doação para o coletivo?
Por falar em doação, uma pauta interessante: se as obras que não serão da Copa já estão enterradas junto com Ines de Castro, a de Dom Pedro I, filho do rei de Portugal, Afonso IV, cantada em versos de Camões, que também estava morta, como ficam as imensas verbas liberadas sob a égide do RDC, o Regime Diferenciado de Contratações de Obras Públicas?
E já querendo botar lenha na fogueira, quem se habilita a verificar quais foram os contratos firmados e/ou pagos entre a morte da Inês e seu famoso e fúnebre beija-mão? Ou seja, quando todo mundo já sabia que ia dar M-E-R-D-A, mas fazia de conta que o rei estava todo paramentado mesmo desfilando só de capacete nuzinho em pelo pelas obras prometidas com sua “roupa” nova imaginária?
Além de não conhecer a História da Civilização, esse povo também não teve infância. Nunca ouviu falar em “A Roupa Nova do Imperador”, conto de fadas do dinamarquês Hans Christian Andersen.
Pensando bem, e mesmo que tivessem ouvido que diferença faria? Agora não dá para mudar nada. Só resta a eles ficarem desfilando com seus narizes de palhaços, a cara-de-pau de sempre e segurar o tranco que vem por aí.
Os próximos meses não serão nada fáceis...


Nossa mulher no Rio é Valéria del Cueto, jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Parador Cuiabano”,  do SEM FIM...

domingo, 30 de março de 2014

Ziriguidum Pantanal, outra odisseia ambiental. À luta!



  Texto e foto de Valéria del Cueto

O senador Blairo Maggi, presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e controle do Senado convida a população para o ciclo de debates que analisará sua própria obra: o PLS750/2011 (Projeto de Lei do Senado). Ele dispõe sobre a Política de Gestão e Proteção do Bioma Pantanal. As audiências, solicitadas pelo Senador Delcídio do Amaral, (MS) acontecem nesta segunda feira nas Assembleias Legislativas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, em Cuiabá e Campo Grande, respectivamente. Pantaneiros, compareçam!

Analisando o projeto:
“...por ter sua origem no Poder Legislativo, a proposição não deveria atribuir obrigações e funções para órgãos das administrações federal e estaduais, pois essas ações são competência do Poder Executivo. Desse modo, são necessárias alterações à proposição, em especial nos arts. 6º, 12, 17 e 18, no parágrafo único do art. 1º, no inciso XXVII do art. 2º, no inciso I do § 7º do art. 7º e no § 2º do art. 9º para evitar conflito entre os Poderes.”
“...Com relação à juridicidade, cabe advertir que o projeto necessita ser compatibilizado com a legislação vigente e com os acordos internacionais dos quais nosso país é signatário... Para atender às Convenções de Ramsar e sobre Diversidade Biológica, dever-se-ia constituir restrições ao uso de agrotóxicos e ao plantio de transgênicos na região, com o objetivo de conservar a diversidade biológica e garantir a preservação das aves aquáticas, que são espécies muito suscetíveis à contaminação por produtos químicos.”
“O § 1º do art. 13, que permite a substituição da vegetação nativa para a implantação de pastagens cultivadas, pode acarretar a perda de diversidade biológica, sendo, portanto, incompatível com a Convenção sobre Diversidade Biológica.”
“...Também devemos enfatizar que houve omissão das áreas de Reserva Legal no Capítulo II da proposição e nesse caso incumbe a introdução de um artigo sobre o tema ao projeto.”
“...Existe, ainda, a necessidade de alterar os arts. 1º, 2º e 3º para acomodar as normas da Lei de Recursos Hídricos sobre gestão de bacias hidrográficas. O objetivo dessas alterações é considerar a gestão das bacias da região desde as suas nascentes e os efeitos dos empreendimentos hidrelétricos nos rios da bacia do Paraguai sobre o “pulso de inundação”, que é considerado o principal fator que define a ecologia do Pantanal.”
“A moratória de cinco anos cinco anos para a pesca profissional e amadora, presente no art. 16 da proposição, está em dissonância com a Lei da Aquicultura e Pesca... Não existe base técnica que justifique a moratória e cabe enfatizar que esses setores, por dependerem efetivamente da preservação dos recursos pesqueiros, normalmente promovem a conservação do Pantanal.”
“O projeto também precisa ter incluído um artigo que comine sanções penais, de preferência relacionadas à Lei de Crimes Ambientais.”
“...e, no art. 15, que trata da navegação fluvial, é preciso impedir que as intervenções irreversíveis nos cursos d’água alterem a velocidade do escoamento, o volume de água e a capacidade do transporte de sedimentos.”
 “...no art. 2º do projeto também deveriam ser incluídos outras modalidades de pesca além da de subsistência, como a pesca amadora.”
“Incumbe padronizar a terminologia ao longo do texto da proposição e, em especial, utilizar o termo “bioma Pantanal” ao invés “bacia do rio Paraguai” quando está se referindo ao bioma e não à bacia hidrográfica. A utilização do termo “bioma Pantanal” deve ser feita ao invés do termo “planície alágavel do Pantanal”, pois o ecossistema é constituído tanto pela região alagável quanto pela não alagável.”
* Trechos do parecer do relator da matéria na comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, senador Eduardo Lopes. Encaminhado com uma emenda substitutiva integral este parecer foi retirado de pauta pelo autor, suplente do senador Marcelo Crivella que retornou ao senado e assumirá a relatoria.
**Eduardo Lopes é o atual  Ministro Da Pesca.


Valéria del Cueto, nossa mulher no Rio, é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Parador Cuiabano”,  do SEM FIM... delcueto.wordpress.com


Gravata      
“dever-se-ia constituir restrições ao uso de agrotóxicos e ao plantio de transgênicos na região, com o objetivo de conservar a diversidade biológica”

sexta-feira, 21 de março de 2014

Tempestade na Cidade












Texto e foto de Valéria del Cueto


Quem avisa amigo é, diz o ditado desatualizado. Avisar não é mais o que era antes. Hoje, todo mundo avisa. Nem sempre por ser amigo...

Desde quando estão avisando que as chuvas vão chegar aqui no Rio? Faz tempo. O Climatempo e co-irmãos estão firmando nessa tese, sem muito sucesso, desde o final do ano passado e durante todo o verão que já terminou.


Eram as chuvas de fim de tarde que nunca caíram, as águas de março que estão a caminho e por aí adiante. Um mar de esperanças climáticas não realizadas. E lá se vão os reservatórios já sem chances de recuperarem as chuvas prometidas e jamais desaguadas, cada vez mais minguados, assim como a nossa paciência.


Há quem tenha desistido da tecnologia das informações massificadas por garotas do tempo e seus efeitos especiais nos telejornais, aplicativos nos smartphones e, até mesmo, os horários dos eventos nas páginas das redes sociais que já vem com a previsão do tempo incluída. Outro dia foi disparado um convite irrecusável, mas que ao lado da data e do horário trazia a temperatura prevista e o aviso: TEMPESTADE. E olha que não era nem uma possibilidade, era uma informação monossilábica e demolidora. Intrigada com o detalhe procurei um lugar para desativar a informação e descobri ser impossível. A anti propaganda estava obrigatoriamente indexada na página, desestimulando os convidados ou, no mínimo, recomendando o uso de capa, guarda-chuva e galocha. E olha que o evento pedia traje passeio completo! Vá que “tchova”, cuiabanicamente falando...

Por Cuiabá a situação é inversa. Tanto que a desculpa para o atraso das obras da Copa é a totalmente previsível e anualmente encharcante. “Diz que” a quantidade de chuvas atrapalhou o cronograma do estádio que não está pronto. Mas é o menos atrasado entre os atrasados, comemora o site da SECOPA!

Se a gente considerar que dos 12 estádios 9 já estão entregues chegamos a conclusão aristotélica e pitagoresca, (sem precisarmos aplicar a teoria de Fermat), que somos os antepenúltimos no ranking! (o que parece ser uma grande vitória, especialmente se levarmos em conta que, no caso de São Paulo, o atraso foi provocado pelo acidente com o guindaste, lembram?) Melhor sabermos que pagamos por uma informação tão precisa e animadora disparada para os nossos veículos de comunicação. Afinal, é muita matemática para explicar o inexplicável. A mesma aplicada nos cálculos do custo da obra de construção da Arena Pantanal. Só especialistas de alto gabarito mesmo...


Voltando às águas que não chegam ao Rio de Janeiro: outro dia enquanto, mais uma vez, se anunciava uma virada no tempo cigarras cantavam animadíssimas nas árvores que sombreiam as ruas. O comentário geral era a chuva que chegaria. Quando alguém salientou o fato de que cigarras avisam que o tempo vai firmar... tomou uma vaia. O argumento era de que está tudo muito confuso na natureza e, portanto, as cigarras estavam embolando o meio de campo. Pergunto a vocês: choveu?


Niente. Está quente e seco. O que é problema para uns(Dilma, nossa ex-ministra das Minas e Energia, que o diga se, dessa vez, leu o relatório completo) é alegria para outros: um céu deslumbrante, num azul especial, enfeita o horizonte das fotos que retratam a paisagem da Cidade Maravilhosa divulgadas para incentivar o turismo entre uma notícia e outra de ataques as UPPs, mortes de policiais e seres humanos sendo arrastados nos carros dos PMs. A Copa vem aí!


No céu, as gaivotas enlouquecem. Passeiam em bando de um lado para o outro. “Alinhadas”, disseram, é sinal de que as águas estão chegando. Olho para o Atlântico,  na Ponta do Leme. Lá estão elas, bailando bem na linha da água, em voos aparentemente desordenados. Abaixo, a superfície do mar num tom esmeralda, não está espelhada. Parece se mexer. Outro sinal da chuva chegando? Quiçá para eles. Para elas e para mim a situação é clara: há um gigantesco cardume na área e muito alimento para os pássaros. Talvez digam que a peixarada seja o sinal das chuvas que estão a caminho.





Gravata                                    

Dos 12 estádios, 9 estão prontos. Chegamos a conclusão aristotélica e pitagoresca (sem aplicar a teoria de Fermat):somos os antepenúltimos no ranking!




nota do editor:Nossa mulher no Rio, Valéria del Cueto, é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”,  do SEM FIM... 


domingo, 4 de agosto de 2013

Conhece o Ramake? Não? Nem eu! Mas a Folha conhece...


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Burrice

Sempre fui um iconoclasta. O nome deste blog é uma prova disso.

Mas acontece que eu também sou - veja você - ser humano, e como tal, possuo uma faculdade racional que me permite enxergar os limites das coisas. E você, suponho, compartilha da mesma faculdade.
Isso nos diferencia dos cachorros, por exemplo, quando vemos que não é uma boa ideia sair latindo atrás de carros em movimento. Tivesse o cachorro uma noção de limites, veríamos menos nossos amigões mortos no asfalto. Nem mesmo o seu instinto o salva.

Acho que, darwinianamente falando, a espécie humana é muito apta sobreviver no meio porque demonstra ter noção dos seus limites e se auto-impinge barreiras para sua própria sobrevivência.

Só que essa característica não se vê em todos. Uma parcela pequena carrega em sua formação genética características de total falta de noção de limites e colocam, dessa forma, a sua vida física e social em constante perigo.

Pra ilustrar bem a coisa, coloque nessa sopa os malucos que arriscam suas vidas andando a 180km por hora numa via expressa, fazem ultrapassagens perigosas e irresponsáveis, bebem até estourar o fígado e depois dirigem, andam de moto sem capacete, saltam de paraquedas (sim, isso, na minha concepção, é uma atitude idiota, mas enfim) nadam em locais com quatrocentos avisos que tem repuxo ou tubarões, etc.

A total falta de limites também se vê em atitudes antissociais como as que vimos por parte de um grupo na Marcha das Vadias semana passada.
A primeira vez que ocorreu essa manifestação eu achei justificada. Como resposta a algum idiota que teria dito que a mulher só é estuprada porque sai às ruas vestida de vadia. Aliás, resposta melhor pra uma bobagem dessas não poderia ter havido.

Só que a coisa - como sempre - acaba por cair no lugar comum ao se repetir sem um motivo aparente.
Quem acompanha esse blog, ou me conhece pessoalmente, sabe que sou ateu e sempre advoguei pela total separação de igreja e estado. Cago e ando pra qualquer crucifixo, imagem ou símbolo religioso.

Porém, não acho que isso me dá o direito ao desrespeito. Eu não acho que a atitude daqueles panacas na Marcha das Vadias no Rio, ao mesmo tempo do congresso católico, foi uma boa ideia. Não entendo como pode ser pretendente de conseguir respeito um grupo de pessoas nuas irem às ruas (com os rostos tapados, claro) quebrarem imagens de santos e simularem masturbação com crucifixos.

Isso choca e provoca nojo ao invés de conseguir simpatia à causa. Isso é burrice. É como os médicos fazendo greve não atendendo àqueles que mais sofrem com o problema da saúde no Brasil, ou como os rodoviários não saindo das garagens deixando milhares de trabalhadores desassistidos. 

Por mais que eu esteja cagando pra qualquer imagem e simbologia religioso, por mais que eu ache que a igreja católica é nefasta quando demoniza a camisinha, o aborto e os relacionamentos homo-afetivos e adoção de crianças por casais gays, a atitude dessa gente em meio a senhoras e crianças que estavam por perto para acompanhar e praticar a sua fé foi um belo tiro no pé.

Quando eu vejo aquele tipo de cena eu penso em meus pais, que são pessoas a quem tais símbolos são caros. Isso provocaria neles mais revolta e nojo do que qualquer tentativa de parar para pensar na mensagem que eles estariam passando. E aí, ora bolas, a coisa acaba sendo absolutamente inútil e sem sentido.

Tivessem essas pessoas se limitado a erguer seus cartazes com suas mensagens de forma pacífica e menos abjeta, tenho certeza que teriam suas ideias alcançado de forma mais limpa e objetiva os olhos de quem por lá passava.

O que resultou foi que a pantomima agressiva do grupo ofuscou qualquer tentativa legítima de passar uma mensagem procedente adiante e fazer as pessoas pensarem e avaliarem o que defendiam. A sua total falta de limites ou noção de limites transformou o que poderia ser uma oportunidade de serem ouvidos num ritual grotesco e antipático, para dizer o mínimo. 
Ou seja, muito obrigado por deturpar totalmente uma revindicação correta pelo laicismo. Vocês conseguiram jogar isso no lixo.

Apenas tenho a lamentar que alguns autoproclamados livre-pensadores e humanistas estão se tornando uma gente que não tem limite algum para sua agenda. Em breve eles acabarão virando uma caricatura de si mesmos.

Se já não viraram.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Vendetta

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sexta-feira, 5 de julho de 2013

A Decisão

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domingo, 16 de junho de 2013

Coisas da Vida


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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Na Folha on Line, "pessas" de teatro em cartaz em São Paulo enchem o português de orgúio!


segunda-feira, 25 de março de 2013

O Perigo do Discurso Raso.

Oi. Faz tempo que não apareço aqui. Mas eu preciso falar.

Todos os dias vemos um crescendo no movimento dos ciclistas em prol de uma sociedade com menos carros e mais bicicletas.
Eu não tenho problema nenhum com ciclistas, mas eu tenho com discursos dicotômicos. E isso "só" porque eu entendo que esse tipo de retórica é injusta. Quando você resume uma coisa na base do preto no branco, é porque alguma coisa está errada.

Vejamos, bicicleta é legal. Concordo. É bom para a sua saúde e é divertido. Ponto. Este é o único ponto que eu e os ciclistas concordamos.

O problema é quando um resolve falar em nome da "categoria" e demoniza os veículos automotores. Por quê? Ora, por quê! Porque "poluem, entopem as ruas e - evidentemente - atropelam ciclistas".

Aí a cereja do bolo é quando os ciclistas exigem que as pessoas deixem seus carros nas garagens e passem a ir pro trabalho de bicicleta.
Viu como é fácil? Que maravilha que alguém tinha a solução do problema do trânsito pesado, poluição e mortes no trânsito e nunca pensei nisso.

Só que não é bem assim, amigo. Vamos levar em conta que as pessoas têm trabalhos diferentes? Sim! Eu, por exemplo, tenho um trabalho cuja natureza não permite que eu use bicicleta. Detalhes como agenda apertada e boa apresentação (leia-se, não feder a suor) inviabilizam a minha troca do carro por esse meio de transporte. E olha que quem tá falando aqui gasta muito em gasolina por mês. Quisera eu poder migrar pra um transporte que me aliviasse o bolso e a cintura, porque eu to bem acima do peso.

Mas não posso! Não dá! Então o que é preciso, é que haja consciência de ambas as partes. Dos motoristas para terem maior cuidado nas ruas e não sair atropelando ciclistas e dos ciclistas para não andarem numa via importante de uma grande cidade como se estivesse indo comprar pão na padaria da praia.

Esses dias eu quase peguei em cheio um ciclista que vinha na contramão da Av Ipiranga aqui em Porto Alegre. Uma via muito complicada e uma das principais avenidas da cidade.

Eu tive que parar o carro num posto, sair e tomar ar, pois chegou a me dar taquicardia. Se eu bato no cara - e ele acaba por morrer - sabe o que aconteceria? Certamente eu seria alvo de dedos apontando para o "maldito motorista" e ninguém estaria preocupado em saber a minha versão. A de que o cara simplesmente adentrou a via na contramão. Daquele momento, até eu provar o que realmente aconteceu, é bem capaz de minha foto estampando campanha contra a minha pessoa e os carros já estariam inundando o Facebook. Já era!

Isso vem desse discurso raivoso e dicotômico que alguns - não todos - adeptos do ciclismo têm destilado na rede e em meios de comunicação.

O respeito tem que ser mútuo e sem ideologia. Vamos deixar de lado o discurso raso e vamos nos concentrar no que é importante, que é todos termos consciência do nosso espaço no trânsito e respeitar o próximo. Estando ele numa bicicleta ou num carro.





sábado, 20 de outubro de 2012

De repente vivo no meio de intelectuais


Existe uma praga chamada "intelectual". Aliás, existe uma praga que se auto-intitula "intelectual". Assim mesmo, entre aspas. E uma de suas ostensivas características é a de demonizar a tríade popular: novela, futebol e carnaval.

Eu mesmo não gosto de dois desse grupo: carnaval e novela. Porém, nada é tão ruim que não possa vir a ter a felicidade de, em algum momento, demonstrar um suspiro de genialidade ou de acerto. Mesmo o carnaval, um evento popular para o qual não me movimento um centímetro, tem algumas coisas interessantes, como certas marchinhas ou mesmo todo o clima de festa e de alegria que infecta o nosso meio. Não assisto desfiles nem vou a bailes, mas reconheço que se trata de um evento muito bem elaborado profissional e que apenas não cai no meu gosto. Fico longe.

Recentemente fiquei atraído pela trama da novela Avenida Brasil. Achava a música tema uma merda, entendia que alguns pontos do roteiro eram dispensáveis, mas o cerne, o centro da peça me pegou. Eu. Um cara que ama Monty Python, Tarantino, Hitchcock e Nelson Rodrigues, acabou sendo fisgado por esse maldito folhetim brasuca. E é com "s" mesmo, diferente da bola da copa.

Gostei da trama, embora reconheça que perde feio pros mais prosaicos roteiros das séries que atualmente são produzidas nos EUA. Também confesso que não perdia meus sais minerais se não visse algum capítulo. Perdi muitos, mas fazia questão de assistir quando podia. Gostei também da maneira com que foi filmado. Tinha muitos elementos de cinema como a ótima luz e a fotografia, que estouravam na tela como nunca havia sido feito antes. Provavelmente a questão do HD deu um toque especial, mas, no conjunto, eu estava bem satisfeito seguindo a novela.

Sim NOVELA, engulam essa, "intelectuais".

Aí basta o cara revelar inocentemente que faz parte do mar de telespectadores da NOVELAAAAA pra que olhares e comentários tortos venham de todas partes.
De repente tu te vês cercado de intelectuais, pessoas cultas, e nunca tinha percebido. E nada vem sem estar acompanhado daquele jargão entusiasmado que grita "GLOBO MANIPULADORA" pra aporrinhar o saco. Sério?

Mas, poxa vida, que bom! Vivemos num mundo de apreciadores exclusivamente de coisa rebuscada e eu não sabia! Passo minha vida explicando o que é O Exército de Brancaleone, A Vida de Brian, Edgar Allan Poe, O Gene Egoísta e Imposturas Intelectuais, mas, de repente, eu que sou o tosco e o resto da humanidade é brilhante. Então tá! 

Há pouco soube de uma foto compartilhada no Facebook que dizia que enquanto milhões se preocupavam em saber quem havia matado Max, ninguém dava a mínima para os policiais que eram mortos diariamente no Brasil.
Mas desde quando uma coisa invalida a outra? Isso é como julgar quem prefere ter cachorro a adotar uma criança pobre. Dã!

E o mais engraçado disso tudo é que, enquanto pipocam os "intelectuais de capítulo final de novela das 8", entra eleições e sai eleições, os mesmos merdas, ladrões e imbecis têm a manutenção de seus cargos garantida.

Certamente que esses intelectuais hibernam na hora de votar.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Pronto, Agora Sobrou pra Xuxa

Antes que venham me encher o saco, deixa eu dizer que odeio o programa da Xuxa e não poderia ter pela figura da apresentadora maior desprezo. Só que ao mesmo tempo, não acho que ela é o que há de pior na nossa cultura popular.

Aí ontem, no Fantástico, ela participou daquele quadro-culto à celebridade chamado "O que vi da vida", onde ela contou curiosidades da sua vida, falou sobre a infância, amores e que sofrera abuso infantil.  A não ser que eu tenha perdido todo e qualquer senso crítico e de observação, a mulher me pareceu bem sincera. Soou verdadeira.
Sabe por que eu assisti? Porque eu quis. Durante todo o tempo havia a possibilidade de eu:

A - trocar de canal
B - desligar e fazer outra coisa; ou
C - continuar vendo

Continuei vendo. Não tenho os números, mas estou certo de que atingiu picos de ibope, pois hoje o papo nas redes sociais é o depoimento da Xuxa seguido de palavras hostis e nervosas. Críticas AFIRMANDO que ela mentia, que ela já era e por aí afora.
Não discuto aqui a qualidade artística da Xuxa, mas a capacidade que o povo brasileiro tem de cair de pau nas pessoas por nada. Porque, afinal de contas, o que a Xuxa fez de tão horrível que justificasse tamanha hostilidade de um grupo considerável de pessoas?

Em um momento ela fala que foi procurada pela equipe de empresários de Michael Jackson porque o cara teria se interessado por ela e queria começar um relacionamento, além de ter filhos! Evidentemente armado.  Ela não aceitou. Isso eu considero uma atidue, no mínimo, melhor do que ter aceitado! Porém estão enchendo a mulher de osso até agora. Se ela tivesse ido às câmeras e confessado que usou crack com a filha numa rave ou que tinha feito sexo com cachorro até entenderia a inundação de hostilidades, mas nada que ela falou  justifica tamanho rechaço.

Sei lá, acho que o povo brasileiro se encaminha num processo de enloquecido de deturpação de conceitos de maneira tão fora de compasso que perdeu-se um pouco de sentido e lógica dentro da sua própria forma de criticar.
O brasileiro desconstrói os ídolos errados.

domingo, 6 de maio de 2012

Lista de Compras

Não me importo de ir a supermercados, até gosto. Mas existe um ingrediente que, só em pensar, causa-me um calafrio na espinha: Lista de compras escrita pela esposa.

Não sei, mas acho que há algum acordo entre esposas e redes de supermercado para deixar a vida dos maridos mais difícil. Nada que venha na lista está de acordo com o que está nas gôndolas e prateleiras. NADA. 
Hoje fiquei inerte defronte à prateleira repleta de "alfaces americanas", "alfaces mimosas" "alfaces disso" "alfaces daquilo" mas a tal "alface crespa", que estava na lista, necas. O que tive que fazer? Ligar pra ela. Que ainda me deu mijada.

"onde já se viu não conhecer uma alface crespa"?

Conhecer eu conheço. No prato. Aí então tinha Molho shoyu. Pensei:  "barbada". Ledo engano. Havia dezenas de garrafas pequenas,médias e grandes e de várias marcas. Celular de novo. 

 "como, qual shoyu? Ora, SHOYU, caramba!"

 Mas há algo ainda pior. A crueldade de colocar no meio da lista de supermercado o absorvente íntimo. Quando li não acreditei. Tive que quase ler em voz alta. Mas era verdade. E lá fui eu para o corredor dos "módis". Tenho 38 anos, mas nunca imaginei na minha vida que existia tanto tipo diferente de vaginas. Com suas particularidades identificadas em cores diferentes. Tinha laranja, azul, rosa, amarelo. 
Aí bateu o pavor! Tive que olhar para o lado e pedir o auxílio de uma mulher que estava comprando o dela. Ela me olhou com pena e carinho ao mesmo tempo. Leu a descrição na lista e, em meio segundo, foi direto no absorvente exato. Brilhante!

Outra coisa. Mulheres têm TARA por prazo de validade. Se tu chegares em casa com alguma novidade, seja um pão diferente,um biscoito ou um doce, uma cerveja, enfim, qualquer coisa que tu tiveste o atrevimento de incluir na lista, a primeira pergunta não será "quanto custou?",mas "viu o prazo de validade?" Isso é muito broxante. 
 Mas tudo ia bem, aos trancos e barrancos, quando, de repente, chega um torpedo escrito  "traga acetona, por favor". Li na pressa, no meio das compras, entendi errado e levei um vidro de azeitonas.

O resto, bem, usem a imaginação...

domingo, 11 de março de 2012

Somos Reféns dos Estacionamentos Pagos





Acompanhem o meu raciocínio:


Quanto pagamos de impostos nos combustível? 41%. Isso inclui CIDE, PIS, COFINS e ICMS.
Quanto pagamos de IPVA? Depende do carro do cidadão. Mas vai de 600 a uns 2000 reais por ano para os carros que temos hoje no Brasil. Ok?


Bem, como trabalho com meu carro, eu pago uma média semanal 100 reais de combustível, o que dá 400 reais por mês. 41% de 400 dá 164,00 reais que, mensalmente, saem do meu bolso e vai pro governo. 164 x 12 meses dá 1968,00, que somados ao IPVA (isso que to falando só do imposto que pagamos por ter carro) dá quase 3000 reais por ano para o governo.Outros pagam mais, outros pagam menos.


O dinheiro, dizem, é para as estradas e outras mentiras. Fora os demais impostos que servem para uma porrada de outras lorotas, entre elas, a segurança pública.


Por que eu estou falando isso? Porque antes de eu começar com o assunto desse post eu queria que todos vocês tivessem perfeita noção do que se gasta com um carro.


Agora, o post:

Sou um defensor do capitalismo e da livre iniciativa. Aplaudo todo empreendedor e empreendedorismo. Mas algo me incomoda.
Tenho reparado o crescimento de um negócio em nossas cidades chamado Estacionamento Rotativo. Está lá o estacionamento sozinho ou incorporado a empresas. A princípio é muito bom ter essa alternativa. Gosto de poder escolher entre pagar mais para ter um serviço, pagar menos para ter outro, ou não pagar para não ter nenhum dos dois. Isso se chama liberdade.
Porém, no momento em que você se vê numa situação onde a opção de não querer pagar por um serviço, algo está errado.

Dou um exemplo.

Há em Porto Alegre um centro clínico grande chamado Mãe de Deus Center. Ele fica ao final de uma rua sem saída em uma área de grande movimento da capital. Essa rua, apesar de sem saída, é bem larga, o que permite estacionamento dos dois lados sem problema algum. Porém, em um dos lados somente permite-se táxi, por ser ponto, e do outro é simplesmente proibido estacionar.

O que resta para qualquer pessoa que, no meio da semana, de carro, consegue uma brecha na sua agenda para alguma consulta ou exame que vai ao Mãe de Deus Center? Ora, pagar um valor absurdo para deixar o carro no Safe Park, uma das redes de estacionamento rotativo que praticamente estão polvilhando a cidade com seu serviço.

Eu não tenho outra alternativa. A mim me resta abrir a mão e pagar um mínimo de 6 reais a meia hora (que jamais será apenas meia hora, visto que meia hora é o que você leva pra ser atendido). Uma estadia normal naquele estacionamento vai lhe custar uns 12 reais mortos.

Isso quando o estacionamento ainda lhe impõe deixar a chave para o manobrista. Nem o direito de estacionar o seu próprio carro ao invés de largar na mão de seja lá quem for você tem. Recentemente vi uma matéria com câmera escondida em vários estacionamentos com manobristas de Porto Alegre onde os caras roubam o que tiver no porta luvas, trocam de marcha de forma errada e brusca, quando não saem com o carro para dar banda. EU quero ter o direito de NÃO ficar refém desse tipo de serviço!

E sabe por que existe esse crescendo de estacionamentos? Em uma palavra: segurança. Deixar seu carro na rua, dependendo do lugar, significa deixá-lo à mercê de ladrões. Ou seja, você paga 4000 reais por ano para que a segurança não sirva para absolutamente nada. O seu IPVA é depositado nos cofres do estado para que você precise desembolsar 12 reais cada vez que precisar ir a um médico.

Entendam que eu não sou contra estacionamentos rotativos, eu sou contra não termos a liberdade de poder estacionar na rua. 3000 reais por ano não é o suficiente para isso?

Se não precisássemos pagar esse achaque para o governo, teríamos muito mais concentração de renda em nossas mãos e pagaríamos os estacionamentos rindo!

Mas infelizmente não é assim. Tudo o que eu quero é poder ter a liberdade de escolher estacionar na rua! Que é minha e é sua!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Queimando Livros

Assim, tem um senso comum que dita que queimar um livro é um crime.

Quero discordar.

Eu acho que queimar um livro é um ato idiota, mas não um crime. Crime seria queimar uma pessoa viva.
Da mesma forma, crime seria caso algumas pessoas adentrassem uma livraria, ou uma biblioteca, com tacapes e tochas bradando gritos de ordem, e, por exemplo, tomassem todos os livros que defendessem a Evolução da Espécie e os queimassem em nome de Jesus numa fogueira no estacionamento. O crime estaria em roubar e destruir bens alheios. E o ato idiota é o de negar o evolucionismo.

Se você comprar um livro sobre evolucionismo e queimá-lo logo após lê-lo, é um problema seu. Você tem todo o direito de fazer o que quiser com o bem que comprou, desde que não prejudique outras pessoas. Mas mesmo não sendo crime, eu acho um ato idiota.

Tão idiota quanto queimar alcorão, como noticia-se ter acontecido numa base americana no Afeganistão.

Agora, pior que tudo isso, é você ser ameaçado de morte porque queimou seja qual livro for! Sabe qual a atitude de um cientista que vê a Origem das Espécies de Darwin queimado por algum religioso mais linha dura?
Um bocejo.

A atitude dos muçulmanos ao ver o seu livro religioso sendo queimado é matar quem o fez.
Portanto, por mais que estejamos suscetíveis a cair na tentação de dizer: "também, por que foram provocar?", vamos refletir se não há ainda algo muito pior do que isso, que é não poder queimar um livro porque pode-se ser assassinado por isso.

Dizer que os soldados estão merecendo os ataques por terem queimado cópias do corão numa região cheia de fanáticos é como dizer que toda mulher que sai de minissaia numa região que tem tarados tem mais é que ser estuprada.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A favor da vida ... de uma pessoa, não de uma célula



Vamos ser sinceros, ninguém gosta de aborto.

Num mundo perfeito as pessoas não precisariam se valer dessa infeliz alternativa para livrar-se de uma gravidez indesejada. E quando falo indesejada incluo aí desde estupro até aquele rápido "papai-e-mamãe" no sofá da sala enquanto papai e mamãe estavam no supermercado.

Em um mundo perfeito as mulheres não são estupradas, camisinhas não furam e métodos anti-concepcionais são de uma eficácia receitafederaliana. Em outras palavras:  crianças nascem a partir de um cuidado exercício de planejamento familiar do casal. Ah sim, e todas têm os dois pais (ou duas mães,  a gosto do cliente). Não podemos dar de ombros para a informação que 50% dos partos são de filhos não desejados ou planejados.
Mas, infelizmente, o mundo está longe da perfeição. As pessoas estão longe de serem perfeitas e a sociedade é essa coisa que vemos aí diariamente nos apontando o dedo sujo.

Então o primeiro erro dos críticos contra o aborto é concluir que,  se uma pessoa é a favor do aborto, logo, ela  gosta de aborto e, então, lá irá ela abortar feito louca como fazem as ricas comilonas que lipoaspiram-se semestralmente. Não. O troço, a meu ver, é mais como o cara que é a favor da legalização da maconha, que tudo o que quer é poder comprar seu baseado e queimá-lo em casa, assim como um juiz de direito o faz com um Blue Label de 600 mangos.

Ser a favor do aborto é, antes de mais nada, ser a favor da liberdade da mãe, como mulher e possuidora do seu corpo, de decidir o que quiser sobre ele mesmo. Você dirá: "mas agora  trata-se de uma outra vida dentro do corpo dela, não dela apenas". Concordo em parte. É outra vida? É, mas não é outro ser humano. Um embrião humano em seus primeiros estágios de gestação é tão ser-humano quanto qualquer célula do nosso corpo. Não possui córtex ( pra você que lia a bíblia ao invés de livros de biologia, córtex é o que basicamente o que  difere os homens  dos demais animais) e sequer tem sistema nervoso central.

Pra deixar a coisa mais clara, um espermatozoide é tão ser humano quanto um embrião recém concebido. E como bem falou Dr Drauzio Varella, "se aborto é assassinato, masturbação é um genocídio."

 Poderá, ao contrário do espermatozoide easy-rider,  depois vir a ser um homem ou uma mulher - embora conheça cada espermatozoide ambulante por aí que vou te contar.
Disse "poderá" porque a própria natureza da gestação humana é capaz de aprontar uma surpresa e interromper o processo, naquilo que conhecemos como "aborto natural".

O segundo erro dos críticos, é que as suas argumentações estão repletas de termos religiosos como "espiritualidade", "alma" e alguns vão mais longe e atrevem-se a citar o deus da mitologia judaico-cristã. Só que,  helloooo, o estado brasileiro é laico, ou seja, não tem religião, o que significa que criar Leis baseadas em fundamentos religiosos não pode! Por mais que você fique aí esperneando e dizendo que eu vou pro inferno. Olha as minhas rugas de preocupação...

Fosse o caso de reduzirmos a coisa toda do aborto, como alguns querem, para o hall do "é crime e acabou", como pode que esses mesmos resolvem ser automaticamente a favor em caso de estupro?

Por quê? Afinal de contas agora  o embrião deixou de ter toda aquela conversa fiada de alma e bla-bla-bla de espiritualidade e deus bla-bla-bla? O feto que a mulher carrega, porque é fruto de violência sexual, virou culpado? Por favor me expliquem essa porque não consigo entender. Onde é que está isso na Bíblia? O filho do estuprador tem que pagar pelo crime do pai? Tsc, tsc, tsc...

Ser contra os outros abortarem é, além de uma invasão ao direito individual alheio, colocar em um embrião uma condição social acima de qualquer mulher. É conceder a um embrião (que é um conjuntinho de células) direitos civis em detrimento de uma cidadã com vontades, desejos, perfil psicológico definido, caráter, sentimentos, amores e história de vida.

Agora, se mesmo assim você for contra o aborto, simplesmente não faça.
Mas não diga o que os outros podem ou não fazer porque a sua religião não aprova. Pois isso abre precedentes para que, daqui a pouco, a CNBB trabalhe um lobby para tornar os métodos anticoncepcionais crime.

Aí vai ser engraçado a galerinha do dedo sujo falando em liberdades individuais...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Pit Bull? Não, obrigado...

                                         Bonitinho. Mas espera crescer...

Googlei as seguintes frases entre aspas:


"morto por doberman" - 1 resultado
"morto por pastor alemão" - 470 resultados
"morto por bulldog" - 2 resultados (sendo que um era a continuação de QUASE-morto por bulldog e outro um conto de ficção).
"morto por rottweiler" - 117 resultados

e agora, tcham-tcham-tcham-tcham

"morto por pit bull" - 22.100 resultados.

Preciso dizer mais alguma coisa?

Preciso, como sou justo quis ver outros número.

Segundo o site http://lolcos.com/as-10-racas-de-cachorros-mais-compradas/ , as 10 raças mais compradas de cachorros no Brasil são:

1 - Labrador
2 - Poodle
3 - Yorkshire
4 - Pastor alemão
5 - Bulldog Inglês
6 - Chow-Chow
7 - Maltês
8 - Pug
9 - PIT BULL
10 - Cocker


O Assassino de crianças e velhinhos está em nono lugar.
E não é preciso ser o matemático Oswald de Souza para concluir, a partir dessa amostragem (não-científica, ok, mas informativa, de qualquer forma) que tem 8 outras raças ocupando lares brasileiros antes dele, e que, mesmo assim, temos muito, mas muito mais casos de morte por pit bull do que por todos os outtos antecessores somados.

Segundo o site http://pitbulleumaameaca.blogspot.com/2011/01/estudo-americano-quantitativo-sobre.html, um estudo nos EUA pesquisou casos de ataques de pit bull de 1988 a 2010. Os casos fatais foram incluidos. O resultado, bem, reproduzo abaixo a conclusão:

"O estudo encontrou relatos de 345 pessoas mortas por cães durante o período de 27 anos dos quais o "pit bull terrier", ou mistura dos mesmos, teriam sido responsáveis pela morte de 159 ou cerca de 46% das pessoas mortas por cães nos ataques identificadas no estudo. A raça em segundo lugar no maior número de mortes atribuídas foi o Rottweiler e/ou cães misturas com essa raça com 70 mortes ou cerca de 20% das mortes. O estudo identificou, em conjunto, os pit bulls, rottweilers e cães misturas dessas raças com outros animais foram envolvidos em cerca de 66% o estudo identificou mortes. Nesse mesmo estudo, o número de mutilações graves por um "pit bull terrier" era 778, o número de mutilações graves por um Rottweiller foi de 244. O número de mortes atribuídas ao cão pastor alemão foi de 9. O número de mutilações graves por um pastor alemão foi de 50."

Portanto, amiguinhos, sem essa balela de que maus-tratos ou deixar o cão acorrentado o transforma num assassino. Não chego perto dessa desgraça apelidada de cachorro nem a pau!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Fórum Social em Debate

Pra quem perdeu: